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O que todo autista gostaria que você soubesse

O que todo autista gostaria que você soubesse

Dificuldade de sociabilidade, comunicação limitada e repetição de comportamentos são sintomas geralmente associados aos portadores de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), que tem o dia 2 de abril dedicado mundialmente à conscientização a seu respeito.

No Brasil, cerca de 2 milhões de pessoas são afetadas pela síndrome. Os típicos sintomas aparecem ainda na infância, inclusive nos primeiros meses de vida, e continuam na adolescência e idade adulta. Não existe cura, mas quanto antes diagnosticado melhor.  Também não há causas evidentes, mas, ao que indicam pesquisas, predisposição genética e fatores ambientais são indicadores de risco. Em meninos, a incidência é de 2 a 4 vezes maior.

Desde 1993, quando a doença foi incluída na Classificação Internacional de Doenças, da Organização Mundial da Saúde, o trabalho para compreender o autismo tem crescido. Atualmente, a síndrome é classificada como única, mas é dividida em níveis de intensidade diferentes, podendo comprometer de forma grave ou leve (esta, permitindo o autista a levar uma vida próxima do considerado normal).

Segundo Marcos Petry, produtor de conteúdo no canal Diário de um Autista – além de escritor, palestrante e autista -, existem 9 pontos essenciais que todo autista gostaria que a sociedade soubesse. Confira:

Gestos e linguagem corporal distraem o autista. Por isso, torna-se difícil interpretar emoções
O cérebro humano funciona como um simulador de ações, ou seja, sempre que vemos alguém fazendo algo, automaticamente reproduzimos a ação em nossa mente, sem a necessidade de parar para refletir sobre elas. Esse fenômeno acontece por conta dos chamados neurônios espelhos, localizados em partes do cérebro como o córtex pré-motor e áreas responsáveis pela linguagem, empatia e dor. O cérebro de um autista tem a função desse tipo de neurônio diminuída, o que significa que a percepção e entendimento de atos motores também são reduzidos.

Orientações complexas são difíceis de entender
Um cérebro típico migra a atenção de uma coisa para outra em um tempo bem menor do que um cérebro autista, que leva de três a seis segundos para transferir a atenção de uma atividade a outra.

Metáforas são difíceis de entender
Usamos, no cotidiano, mais metáforas e expressões do que imaginamos. Enquanto isso gera conexões entre as pessoas de maneira geral, para os autistas essas ferramentas de linguagem criam desconexões.

Tenha iniciativa de contato
Às vezes, o autista não tem iniciativa para o contato, o que não significa que ele não queira fazer. Na verdade, que ele precisa batalhar contra todos os estímulos que o cercam para, então, socializar.

É importante tocar um autista com calma
Sempre pergunte se ele suporta aquele estímulo. Um contato comum pode gerar crises para um autista.

Ame um autista!
Embora, por vezes, o toque e a linguagem sejam limitados, o autista também tem seu lado afetuoso. É importante lembrar que o afeto pode ser demonstrado por outras vias de expressão.

Os sentidos de um autista são desajustados
Um sentido pode ser mais aguçado que outro. Isso pode gerar crises para o autista. Muito som, muito estímulo visual, sabores, odores e aparências de algumas comidas são exemplos de sensações que podem causar desequilíbrio.

O autista pode não ouvir quando chamado
Isso pode acontecer porque o autista precisa, primeiro, organizar todos os estímulos a sua volta para só então emitir uma resposta.

Apoio visual para explicações é importante
Quando o autista organiza seus pensamentos baseando-se em imagens, tudo fica mais fácil de ser compreendido.

Fontes:
Ministério da Saúde | Saúde Abril | Revista Espaço Aberto – USP | Portal Drauzio Varella | Portal Hélio Teixeira | Canal Diário de um Autista