Empresas americanas estão otimistas com mudança no país

A Associação das Câmaras de Comércio Americana para a América Latina está otimista com a mudança de governo brasileiro e enxerga uma transição que favorece a abertura comercial na economia global e com os Estados Unidos em particular. Um evento no Rio, hoje, discute oportunidades de negócios em áreas como energia, inovação e tratados comerciais. Pelo menos 23 executivos de diferentes países participarão do encontro “Business Future of the Americas 2016” tentarão encontrar alternativas para o crescimento depois da Olimpíada.

A crise econômica e política brasileira é uma preocupação dos empresários internacionais, admite Neil Herrington, vice-presidente da associação. “O país enfrenta um momento difícil”, diz o americano, que morou em São Paulo de 2002 a 2004. No entanto, os executivos apostam no longo prazo. “O Brasil conta com uma capacidade humana muito forte”, acrescentou.

Grande mercado consumidor, alta taxa de retorno do investimento e ativos baratos são qualidades que o país mantém e que continuam atraindo o empresariado estrangeiro. “O país vai sair com as instituições mais fortes e melhor no ambiente político e econômico”, acredita.

O câmbio desvalorizado, afirma, também pode ajudar a atrair mais empresas. Seria uma oportunidade para “produzir no Brasil em um custo mais baixo e pode exportar por um preço mais baixo”, disse. Empresas americanas no Brasil geram 650 mil empregos diretos e pagam cerca de US$ 25 bilhões em salários por ano no país, segundo ele.

Hennington aponta a Argentina como exemplo para o Brasil. O vizinho sul-americano, após a chegada de Maurício Macri à presidência, “de repente deu um giro de 180 graus”, se voltando mais para fora. O Brasil é considerado por Hennington um país fechado ao comércio exterior e o novo governo aponta para um caminho de maior abertura comercial.

Produtor do encontro, Rafael Motta, presidente da Câmara Americana do Rio (Amcham Rio), demonstra otimismo com o esboço do que a nova gestão do Itamaraty promete para a política externa. “Relações estratégicas precisam englobar países com maior relevo no ambiente internacional. Isso não quer dizer que precisamos interromper com relações já construídas, mas sim expandir esse universo de parceiros”, ressaltou.

Por Robson Sales

 

Fonte: Valor Econômico (impresso e digital – 24/05/2016) – http://www.valor.com.br/brasil/4573655/empresas-americanas-estao-otimistas-com-mudanca-no-pais-diz-entidade