Entrevista com Pedro Almeida, novo sócio-diretor do Grupo Case

Foto: Antonio Scorza

Executivo de carreira da IBM conta o que o motivou a ingressar no mercado de Healthcare e compartilha a sua visão sobre as transformações que o setor está passando.

1. Após 30 anos na IBM, por que investir no mercado de Healthcare?

Tecnologia e saúde estão cada vez mais interligadas e convergentes. A tecnologia está promovendo transformações profundas no mercado de saúde, tornando os diagnósticos mais precisos, criando tratamentos sob medida, desenvolvendo plataformas, aplicações e ajudando a encontrar remédios em tempo recorde. O futuro da saúde é digital, colaborativo e em ecossistema. Quem não trabalhar de forma coordenada e integrada, de olho no que o mercado consumidor precisa e quer, estará fora muito mais rápido do que conseguirá imaginar. O objetivo é trazer o meu olhar e minha experiência para esse segmento em franca transformação. Quero e vou contribuir para esse futuro que já chegou.

2. Em que medida a sua extensa experiência IBM pode agregar?

Enquanto executivo de carreira da IBM, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, pude constatar o quanto é fundamental aplicar inteligência à tecnologia para garantir a sustentabilidade de qualquer negócio e promover qualidade de vida. Fui diretor do projeto “Cidades Inteligentes”, em que tive desafio de propor e aplicar soluções tecnológicas para o desenvolvimento em áreas estruturais de grandes centros urbanos. Acompanhei de perto o desenvolvimento do Watson, grande expoente da computação cognitiva, e suas aplicações em diversas áreas. A saúde é uma das que mais se destacam em termos de aplicabilidade e exponencialidade, na medida em que o volume de dados e todo o potencial que a tecnologia aporta nesse segmento não para de crescer. Hoje, 30% de todo dado produzido no mundo é gerado pela indústria healthcare e é por tudo isso que me identifiquei com os desafios desse novo segmento.

3. Qual o potencial de projetos de inovação na saúde?

O setor passa por mudanças importantes no sentido de buscar soluções mais eficazes para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e, também, reduzir custos de operadoras e sistemas privados de saúde. Projetos inovadores têm o potencial de ampliar a perspectiva da prevenção, apoiar na promoção do bem-estar e qualidade de vida, além de auxiliar na construção de ferramentas úteis para o negócio e de apoiar empresas na tomada de decisões de forma assertiva. Hoje, a assistência médica nas empresas ocupa o segundo lugar nos custos, perdendo apenas para a folha de pagamento, e a lógica no Brasil passa pela assistência à doença e não à prevenção e às análises e ações preditivas. Big data, data analytics e plataformas cognitivas já são grandes aliados no mercado de Healthcare. Análises preditivas permitem identificar tendências com base em dados históricos e as plataformas cognitivas vão ajudar a criar programas de promoção e prevenção sob medida. Outra tecnologia disruptiva que pode ser aplicada na Gestão de Saúde, ainda não é regulamentada e exige processos encadeados e certificações é a Blockchain. A descentralização, principal característica dessa tecnologia, permite simplificação operacional e redução de fraudes, além de propiciar negócios mais seguros e flexíveis – inclusive propiciando novos modelos.  Tudo isso, funcionando sistematicamente, gerará resultados efetivos para as pessoas e, por consequência, para as empresas.

4. Quais impactos a recém aprovada da Lei Geral de Proteção de Dados traz para a saúde?

O setor depende, cada vez mais, do uso de dados pessoais para oferecer seus serviços, ao passo que, o mercado demanda por soluções integradas, customizadas e eficazes. Desde exames mais simples até diagnósticos mais complexos precisam ser coletados e cruzados para permitir a identificação de doenças e tratamentos adequados. Os dados, que são mais sensíveis nesse caso, podem revelar traços íntimos do indivíduo, podendo, até mesmo sujeitá-lo a práticas discriminatórias e seletivas. Vejo a lei de proteção de dados de maneira positiva, na medida em que estabelece regras claras e protege todos os elos envolvidos nessa cadeia, especialmente quando falamos em saúde; além disso, qualifica os players que efetivamente já estão atuando no mercado em um nível de excelência internacional, elevando a expectativa e a efetiva entrega. Tudo isso garantirá maior transparência e segurança aos processos e será uma relação de win-win.