Grupo Case defende mudanças na gestão dos planos de saúde empresariais

Um dos maiores gestores de planos de saúde empresariais do mercado brasileiro, o Grupo Case faz um importante alerta: se o modelo de administração deste benefício não passar por adaptações, os custos com planos de saúde triplicarão e essa conta, que hoje já não fecha, se tornará inviável. Com base em dados recentes divulgados pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) – que prevê uma curva ascendente nos próximos 15 anos, que partirá de R$ 106 bilhões para R$ 283 bilhões – o Grupo Case defende uma mudança no foco de utilização dos planos, que é atualmente é muito mais voltado para a busca e tratamento de doenças do que para a prevenção.

“A relação custo-efetividade deve ser considerada um indicador representativo e o foco da atuação, que hoje se baseia na busca de doenças, tem que se deslocar para a conscientização do uso do benefício, prevenção e promoção de saúde dentro das empresas”, explica Rafael Motta, CEO do Grupo Case.

No Brasil, aproximadamente 60% dos beneficiários de planos de saúde pertence à modalidade de contratação “coletivo empresarial”. No entanto, não há mecanismos por parte da Agência Nacional de Saúde (ANS) que definam um teto para reajustes anuais. Na prática, na saúde suplementar do mundo corporativo, o “céu é o limite” quando se trata de reavaliar contratos com operadoras.

O cálculo atual leva em consideração o índice de Variação de Custos Médico-Hospitalares (VCMH) – que está sempre acima da inflação convencional – acrescido do percentual da sinistralidade (uma equação entre os custos médicos utilizados pelo grupo em questão e quanto foi pago, na forma de prêmio, para a operadora) aferida no período de vigência. Caso as empresas encarem a gestão de saúde de forma simples, a conta não fechará antes mesmo de 2030.

“O mercado de saúde suplementar vem acompanhando uma inversão na sua lógica de mutualismo, em que muitos pagam e poucos usam”, detalha Rafael. “A pirâmide etária dos beneficiários inverteu-se na medida em que número de usuários com idade superior a 60 anos tornou-se superior às faixas etárias mais jovens”. Entre 1950 e 2010, o percentual dessa população passou de 2,4% para 7,4%.

Como especialista em gerenciamento de risco, o Grupo Case acredita que é preciso ter um olhar diferenciado acerca da predição de doenças e perfil da população, utilizando mecanismos que em curto prazo podem gerar resultados eficientes para os contratos coletivos. Um estudo da Consultoria Strategy revela que atualmente no Brasil cerca de 30% dos procedimentos realizados em hospitais não são realmente necessários e que pessoas, cujo estilo de vida contempla fatores de risco, gastam, em média, 16% a mais com a saúde do que o resto da população.

 

Fonte: Agência Estado (em 06/06/2016) – http://goo.gl/k4Fvp3