O que entra na conta do VCMH?

Já sabemos que o índice de Variação de Custos Médico-Hospitalares (VCMH) deve ser analisado de maneira bastante cuidadosa, conforme explicamos no post Não enxergue o VCMH com as lentes do IPCA. Mas ao que exatamente devemos nos atentar?

Para responder à questão, é preciso saber que além dos custos dos serviços de saúde (consultas, exames, terapias, etc.), o cálculo do indicador leva em consideração uma série de fatores, como envelhecimento da população, desperdícios, cenário econômico e, as de maior peso, as internações e a incorporação de novas tecnologias.

A transição demográfica brasileira é um ponto de atenção. A tendência de envelhecimento da população é irreversível e tem um peso significativo na utilização dos serviços de saúde, em especial nas internações. Segundo estudo de 2018 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em três anos, a parcela de beneficiários acima de 80 anos foi a única que cresceu, 62%. Ao mesmo tempo em que uma parcela de jovens saiu. Essa desproporção desequilibrou o sistema, uma vez que idosos geram mais despesas assistenciais, resultando em: 7,5 vezes mais custo em exames complementares e 6,9 a mais de despesas em internações.

Por isso, é importante aplicar medidas que amenizem o impacto dessa mudança demográfica, como programas de gestão de doenças crônicas, que geralmente acometem os idosos, e o incentivo de acompanhamento profissional multidisciplinar.

Aliás, medidas como essas ajudam a controlar outro ponto importante para o cálculo de VCMH, que são os desperdícios no sistema de saúde privada. Segundo o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), eles provocaram em 2017, a perda de R$28 bilhões. Fraudes, falta de transparência e ineficiência são motivos que colaboram com essa realidade. Enquanto o setor de saúde pública possui um teto de orçamento que limita o acesso da população aos serviços prestados (resultando em filas), a saúde suplementar só conta com a barreira de reajuste de mensalidade, que busca equilibrar as despesas.

Por outro lado, a incorporação de novas tecnologias também contribui para gerar mais despesas, com aquisição, manutenção e mão de obra altamente especializada. Além disso, não há sistemas de análise de custo e efetividade para o uso de tecnologias em saúde, que acabam sendo adotadas sem a devida regulamentação.

Está mais do que clara a necessidade de mudanças urgentes do mercado, de modo que ele se adapte às novas realidades de forma que se busque a sustentabilidade de todo o sistema. Mas como encarar os desafios do caminho? Descubra em nosso próximo post.